Frei Manoel Gomes Barbosa, OFM. 30.11.2004.
Instituto Agostiniano de Filosofia.
Trabalho de Conclusão de Curso.
Filosofia. Orientador: Frei Afonso de Carvalho Garcia.
TEMA: JOÃO “DUNS SCOTUS” E O VALOR NECESSÁRIO DA VONTADE COMO UM INSTRUMENTO DECISIVO NA VIDA DO SER HUMANO.
PROBLEMA: Pretendemos com este trabalho investigar qual o valor da vontade em “Duns Scotus”. Qual o enfoque que o autor dá à vontade de uma maneira geral? Qual o valor da vontade enquanto existência no ser do homem? A vontade pode ter uma influência crucial na vida do homem ou não?
HIPÓTESE: Acreditamos que “Duns Scotus” priorizou muito nesta área do conhecimento humano, enfatizando principalmente o valor da vontade sobre o intelecto. Para ele a vontade não é superior ao intelecto, é pois livre, para tomar decisões. A vontade pode ser considerada algo que está no homem antes de se decidir a fazer alguma coisa durante e após o término de tal feito.
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I : A INSPIRAÇÃO: FRANCISCO DE ASSIS.
1.1. A estruturação da Ordem Franciscana.
1.2. Francisco exemplo de amor universal para toda a escola franciscana.
1.3. A escola franciscana a partir do Séc. XII.
CAPÍTULO II: “DUNS SCOTUS”: VIDA E PENSAMENTO.
2.1. Acontecimentos históricos marcantes na época de Duns Scotus.
2.2. Breve Biografia de Duns Scotus.
2.3. A filosofia de Scotus.
2.3.1. Metafísica.
2.3.2. Teodicéia.
2.3.3. Gnosiologia.
2.3.4. Lógica.
2.3.5. Ética e Psicologia.
2.3.6. Cosmologia.
2.3.7.Antropologia.
2.5. A individuação
2.6. A distinção entre Filosofia e Teologia
CAPÍTULO III: O VALOR DA VONTADE EM DUNS SCOTUS.
3.1. O homem tem necessidade da vontade.
3.2. A Vontade como impulso para uma Liberdade.
3.2.1. A Vontade primeira humana é alcançar a Liberdade.
3.3. Como Aristóteles via a vontade.
3.4. A vontade na visão de Santo Agostinho.
3.5. Duns Scotus e a Prioridade da Vontade.
CAPÍTULO IV: A EXPANSÃO DO PENSAMENTO DE DUNS SCOTUS
4.1. O Escotismo como corrente de pensamento.
4.1.1. Autores que foram diretamente influenciados por Duns Scotus.
4.2. Correntes filosóficas que podem ser encaixadas dentro do pensamento de Duns Scotus.
Este trabalho tem como intenção apresentar o pensamento de Duns Scotus, destacar o desdobramento filosófico de seu pensamento, a partir de seus comentadores. Como também está embasado em alguns de seus escritos dentro da filosofia. O trabalho está estruturado em quatros capítulos; a inspiração: Francisco de Assis; Duns Scotus: vida e pensamento; o valor da vontade em Duns Scotus; A expansão do pensamento de Duns Scotus. Onde queremos ilustrar um pouco da reflexão feita por Scotus que ao beber da escola franciscana, como daquilo que era cultura em sua época. Elaborou uma ardorosa síntese, de tudo aquilo que recebeu como conhecimento. Mas também criando sua própria filosofia, quer resolver sobretudo a questão sobre a prioridade da vontade como instrumento decisivo para a vida do se humano em cima do pensamento de Duns Scotus, por meio da reflexão que faz sobre a vontade, que contribui para ajudar o ser humano alcançar a liberdade, partindo da reflexão franciscana.
Introdução
A partir disso, refletimos primeiro sobre Francisco, base para toda escola franciscana. Para depois chegar à vida e o pensamento de Scotus, destacando a sua filosofia. Em seguida a reflexão está em ciam da vontade, onde esta pesquisa está centralizada, para finalmente fazer uma explanação da expansão do pensamento de Duns Scotus. Dentro desta linha de reflexão, o trabalho procura demonstrar em seus quatro capítulos, o valor do pensamento scotista para o ocidente, sobretudo para o franciscanismo, assim como também é uma fonte de sabedoria para o Cristianismo, com sua iluminada Teologia.
Este trabalho procura mostrar a abertura deste pensador e frade franciscano que na Idade Média conseguiu ter uma abertura para algo novo tendo como ponto de partida a filosofia franciscana, onde Deus é a busca e centro de todo homem, o poderoso e muitas vezes o amedrontador; essa realidade com um outro princípio, em relação à nossa realidade, onde Deus já não é mais tão respeitado como naquela época, também já não causa tanto medo, mesmo assim Duns Scotus tem muito a dizer, com sua doutrina para o nosso conturbado momento, de ceticismo diante da religião.
1o capitulo: No primeiro capítulo, a reflexão está voltada para Francisco de Assis, que através de sua vida é exemplo para toda a escola franciscana: onde é enfocado desde sua vida até a estruturação da ordem franciscana. Apresentamos ainda uma reflexão sobre o exemplo de amor universal que Francisco é para toda a escola franciscana. Destacamos ainda os principais pensadores da escola franciscana a partir do séc. XII que bebendo de Francisco, foram fonte de conhecimento para Duns Scotus.
De maneira sintética este presente capítulo procurou demonstrar aquilo que melhor se identifica com este trabalho, desde o grande inspirador da escola Franciscana Francisco de Assis. Como a extensão da ordem, representada aqui por estes grandes representantes da escola franciscana. Ficando evidente, a heterogeneidade da escola franciscana. Ao mesmo tempo mostra o porquê da grande importância da escola franciscana para o pensamento escolástico. De modo breve, mas o suficiente para se ter ciência daquilo que é a escola franciscana. Para melhor ilustrar o intuito deste trabalho, que está enfocado em um filósofo franciscano.
2o Capitulo: No segundo capítulo destaca-se a questão da vida e do pensamento de Scotus, onde há uma explanação dos acontecimentos históricos marcantes de sua contemporaneidade; fatos que viriam influenciar o jovem estudante Scotus. Também fazemos uma Breve Biografia de Duns Scotus, na qual enfatizamos, aspectos marcantes de sua infância, até seu falecimento. Fazemos contudo uma síntese de sua filosofia onde refletimos sobre a Metafísica, a Teodicéia, a Gnosiologia, a Lógica, a Ética e Psicologia, a Cosmologia, a Antropologia, a individuação, doutrinas a partir de seu pensamento. E finalmente sobre a distinção entre filosofia e teologia. Onde fazemos uma síntese da sua doutrina neste aspecto.
A reflexão deste capítulo ficou sobretudo em cima da filosofia de Duns Scotus, de uma maneira sintetizada. Onde se destaca quão abrangente é sua filosofia assim como também é feito em cima de um rigor lógico científico, que é uma luz para todos aqueles que a ela se achegar numa investigação séria.
3o capítulo: O terceiro capítulo está centrado sobretudo no objeto específico da reflexão desta pesquisa, a vontade, desdobrando-se a partir da necessidade que o homem tem da vontade, procurando demonstrar o valor desta para o ser humano. Depois se desdobra uma reflexão sobre a vontade como impulso para uma liberdade, onde se evidencia a liberdade da vontade, que vem a ser fonte para a liberdade do ser humano. Em seguida apresentamos a vontade na visão de Aristóteles e de Santo Agostinho, devido os dois serem com sua idéias a base das duas linhas de discussões sobre a vontade, na Idade Média. E fechando o capítulo, refletimos sobre Duns Scotus e a Prioridade da Vontade, analisando a polêmica entre àqueles que consideram que em Scotus a vontade é superior ao intelecto e os que, acreditam que em Scotus há uma harmonia entre intelecto e vontade.
Este capítulo tem como objetivo a apresentação do objeto central desta pesquisa, por isso nele está centrado todo o caminho do trabalho até aqui. A vontade é uma análise dentro dos paradigmas éticos, antropológico e teológico no pensamento de Duns Scotus, onde ele reflete sobre o grande valor da vontade para o ser humano, como fonte de moral. Este trabalho não tem a pretensão de aprofundar-se nestas questões, que são muito importantes para o ser humano. Mas aqui o intuito é demonstrar à proeminência da vontade para o ser humano na visão de Duns Scotus, para chegar a reflexão sobre a problemática do primado da vontade como também sobre a discussão sobre o intelecto e a vontade.
Sobre a questão da harmonia entre intelecto e vontade ou primado da vontade sobre o intelecto em Scotus deduzimos que para este a consciência seria este elemento, de conciliação, embora Scotus não estivesse certo desta nossa dedução. Deduzimos aqui, que antes de querer e conhecer, o ser humano precisa ter consciência de que quer e entende. Assim se torna livre para ser e assumir aquilo que realmente é em sua totalidade.
4o capitulo: No quarto capítulo se destaca a evolução do pensamento de Duns Scotus. No scotismo, como corrente de pensamento, procuramos demonstrar a força que adquiriu a doutrina de Scotus. Em outro momento, vimos os autores que foram diretamente influenciados por Duns Scotus, apresentamos alguns nomes de grande relevância para o scotismo. Por último, destacamos algumas correntes filosóficas que podem ser encaixadas dentro do pensamento de Duns Scotus, demonstramos aqui, o desdobramento de suas idéias que foram difundidas por seus discípulos.
Neste capítulo foi destacada a abrangência da doutrina scotista ao longo da história, através dos pensadores. Não foi um estudo pormenorizado (mais ainda no que se refere aos pensadores influenciados), mas procurou-se demonstrar aqui sobretudo o essencial a partir deste ponto de vista, obtido através das pesquisas feitas para a elaboração do trabalho. Se bem que a essência do pensamento de Duns Scotus, aquilo que realmente foi sua idéia diante de várias questões levantadas, é realmente algo de difícil solução, sobretudo por ele não ter conseguido elaborar sua Suma, que seria um desejo seu. Por isso seus escritos são muito concisos, mas com atenção e trabalho se consegue chegar à essência de sua doutrina. Com isso, fica a certeza de que nem sua morte prematura o impediu de deixar um grande legado, para os franciscanos; para a filosofia assim como para a Teologia. Sem dúvida, foi um grande filósofo, que no vigor de sua fé, conseguiu dar um salto com sua inteligência no campo racional da filo
sofia, que até hoje é causa de discussão para pesquisadores do mundo inteiro.
Conclusão
Este trabalho procura mostrar a abertura deste pensador e frade franciscano que na Idade Média conseguiu ter uma abertura para algo novo tendo como ponto de partida a filosofia franciscana, onde Deus é a busca e centro de todo homem; o poderoso e muitas vezes o amedrontador. Essa realidade em relação à nossa realidade, onde Deus já não é mais tão respeitado como naquela época, também já não causa tanto medo, mesmo assim Duns Scotus tem muito a dizer, com sua doutrina para o nosso conturbado momento, de ceticismo e de grande pluralismo de ideais religiosos.
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